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A Pata Suspensa por 3 Passos
O grito no pulo do sofá e a pata de trás no ar mostram a rótula fora do lugar; a consulta fica marcada mesmo com a melhora.
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A rótula que sai e volta
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Marina Toledo assistia ao jornal da noite quando a Pipoca pulou do sofá atrás de um barulho no portão. A Pipoca, uma lulu-da-pomerânia de quatro anos e três quilos, aterrissou no piso frio e soltou um grito agudo, curto, que fez Marina largar o controle remoto.
A cadela deu três passos com a pata traseira direita dobrada no ar, encolhida contra a barriga, como quem desvia de uma poça. No quarto passo, esticou a perna de trás, deu um pequeno chute para o lado e voltou a pisar normal.
Marina se ajoelhou no tapete e apalpou a perna inteira. A Pipoca não reclamou, abanou o rabo e foi até o portão latir para o entregador. Em menos de um minuto, a cena parecia não ter acontecido.
A irmã de Marina, ao telefone, ouviu a história e lembrou de algo que Marina não tinha ligado: a Pipoca fazia o mesmo pulinho de três passos havia meses, quase sempre depois de correr no quintal. Ninguém tinha dado atenção, porque ela nunca chorava.
O grito daquela noite mudou o quadro. Marina buscou no celular e encontrou o nome que os veterinários dão à cena: luxação de patela (a rótula, osso pequeno da frente do joelho, saindo do trilho onde desliza).
A luxação de patela aparece muito em cão de raça pequena, como lulu, yorkshire, chihuahua, poodle toy e maltês. Em muitos deles, o trilho do joelho nasce raso, e a rótula escapa para o lado de dentro da perna quando o cão gira o corpo, pula ou freia de repente.
A melhora em segundos engana. A rótula sai, a perna trava dobrada, e o próprio chute que o cão dá recoloca o osso. Por fora, o tutor vê só um tropeço; por dentro, a cartilagem do joelho raspa a cada escapada.
Marina marcou a consulta para dois dias depois, mesmo com a Pipoca correndo pela casa. Ela queria três respostas: o que pode dar para a dor até a consulta, como saber se o joelho piorou e quanto custa esperar.
A primeira resposta começa pela gaveta de remédios da cozinha.
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I Pode Dar?
O remédio da gaveta fica fechado
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Para a dor no joelho do cão, nenhum remédio humano pode entrar sem receita. Ibuprofeno, paracetamol, diclofenaco e nimesulida, os comprimidos que quase toda casa guarda, fazem mal ao cão mesmo em dose que parece pequena.
O motivo está no peso. Um comprimido feito para um adulto de setenta quilos cai num corpo de três quilos, como o da Pipoca, e o fígado e os rins do cão processam esses remédios de forma diferente. O ibuprofeno abre feridas no estômago; o paracetamol destrói células do sangue e do fígado.
Marina tinha um anti-inflamatório na gaveta, sobra de uma dor nas costas. Ela chegou a partir o comprimido ao meio antes de ligar para a clínica. A atendente pediu que ela guardasse a cartela e trouxesse a cadela no horário marcado.
O QUE PODE ENTRAR ATÉ A CONSULTA
Repouso entra, e é o principal. Até a consulta, a Pipoca ficou longe do sofá e da cama, com passeio curto na guia e sem bolinha. Pular e frear de repente são os movimentos que tiram a rótula do lugar.
Uma rampa ou um degrau de espuma ao lado do sofá entra também, e serve para a vida inteira do cão pequeno. O piso liso pede tapete emborrachado no caminho que ele mais usa, porque a pata que escorrega gira o joelho.
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Remédio para dor de cão só sai da receita do veterinário; até a consulta, o que entra é repouso e chão que não escorrega.
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O QUE O VETERINÁRIO RECEITA
Na clínica, o veterinário apalpa o joelho com o cão em pé e deitado e empurra a rótula com o dedo para ver se ela sai e se volta sozinha. Muitas vezes o exame só de mão basta. A radiografia (o raio X) entra para ver o formato do osso e se já existe artrose (desgaste da cartilagem da articulação).
Se houver dor, o veterinário escolhe um anti-inflamatório feito para cão, como o meloxicam ou o carprofeno, com dose calculada pelo peso e por poucos dias. Em cão com estômago sensível ou rim fraco, ele pede exame de sangue antes.
Suplemento para cartilagem, como o colágeno não desnaturado e o ômega 3, aparece na conversa em alguns casos. Ele não recoloca a rótula no trilho e não substitui a cirurgia quando ela é indicada; entra como apoio, só com a dose que o veterinário passar.
No caso da Pipoca, o exame mostrou rótula que saía com o empurrão do dedo e voltava sozinha, sem artrose na radiografia. A veterinária liberou anti-inflamatório por três dias e pediu repouso de duas semanas.
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II Sinal do Corpo
Os 3 passos que contam o grau
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O tropeço de três passos com a perna no ar é o sinal mais comum da rótula fora do lugar, e a frequência dele diz o tamanho do problema. Muitos tutores chamam de manha, porque o cão volta a correr logo depois.
Os veterinários dividem a luxação de patela em quatro graus, classificação descrita pelo cirurgião veterinário norte-americano R. W. Putnam em 1968 e usada até hoje nas clínicas.
No grau 1, a rótula só sai quando o veterinário empurra, e volta sozinha; o cão raramente manca. No grau 2, ela escapa sozinha em alguns movimentos e volta com o chute, a cena da Pipoca. No grau 3, a rótula vive fora e só entra quando empurrada. No grau 4, fica fora o tempo todo, e o cão anda agachado.
O QUE O TUTOR PODE ANOTAR
Anote quantas vezes o pulinho aparece por semana e em que situação: depois de correr, ao descer do sofá ou ao acordar. Grave um vídeo curto do cão andando de lado no quintal, porque na clínica o cão nervoso costuma andar perfeito.
Repare também no jeito de sentar. O cão com o joelho dolorido senta com a perna jogada para o lado, em vez de dobrada embaixo do corpo. A coxa da perna afetada pode ficar mais fina que a outra, porque o músculo perde volume quando o cão poupa a pata.
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Pulinho que volta toda semana, perna que não apoia por minutos ou coxa mais fina pedem consulta, mesmo que o cão pareça bem.
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QUANDO O CÃO NÃO PODE ESPERAR
Alguns sinais pedem atendimento no mesmo dia. A perna que fica no ar por mais de alguns minutos, o choro ao tocar o joelho, o inchaço e o cão que deixa de apoiar a pata no chão indicam que algo maior aconteceu.
O risco maior se chama ruptura do ligamento cruzado (a fita que segura o osso da coxa sobre o osso da canela, por dentro do joelho). A rótula que escapa por anos força essa fita, e ela pode romper num pulo comum. Aí a pata deixa de apoiar e a cirurgia vira o único caminho.
Quando as duas pernas de trás têm o problema, o cão pode andar com as duas patas traseiras juntas, aos pulinhos, como coelho. O sinal pede a mesma consulta, só que olhando os dois joelhos.
A Pipoca saiu da consulta com grau 2 na perna direita e grau 1 na esquerda. Sem ligamento rompido e sem artrose, a indicação foi tratamento sem cirurgia e retorno em três meses para repetir o exame.
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III A Conta do Pote
Cada quilo a mais pesa no joelho
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Na luxação de patela, o peso do cão decide tanto quanto o grau. Cada quilo acima do ideal aumenta a força que cai sobre a rótula em cada pulo, e num cão de três quilos, meio quilo a mais já faz diferença.
A conta da Pipoca, feita numa clínica de Balneário Camboriú, ficou assim, valores de exemplo que mudam por cidade: consulta com ortopedista perto de R$ 250, radiografia dos dois joelhos perto de R$ 180 e o anti-inflamatório por três dias perto de R$ 40. O total fechou em R$ 470.
A cirurgia de correção de patela, quando o grau sobe, custa alguns milhares de reais por joelho na mesma cidade, conforme a técnica e a clínica, e pede de seis a oito semanas de recuperação com repouso rígido.
A CONTA DO POTE
A primeira medida da veterinária foi pesar a Pipoca: 3,4 quilos, com as costelas difíceis de sentir sob o pelo. A meta ficou em 3 quilos, com perda lenta ao longo de alguns meses.
O plano foi cortar o que não aparece na medida da ração. A Pipoca ganhava pedaço de pão no café, biscoito toda vez que voltava do passeio e resto de frango no almoço. A ração agora vai na balança de cozinha, pesada em gramas, e não mais no copo.
Os petiscos saíram do pote de vidro da cozinha e ganharam uma regra: dez grãos de ração separados de manhã, da própria quantidade do dia, servem de prêmio. Cenoura crua em rodelas finas entra como petisco de pouca caloria.
A CONTA DA ROTINA
O músculo da coxa segura a rótula no trilho. Por esse caminho, passeios curtos e frequentes na guia, em grama ou terra, valem mais que uma corrida longa no fim de semana. Subida leve fortalece a perna de trás.
Brincadeira de bolinha com freada brusca, pulo para pegar petisco no ar e escada sem controle saem da rotina. Unha comprida e pelo entre as almofadas da pata também fazem o cão escorregar, e entram no cuidado do banho.
Para agir quando o cão andar três passos com a pata no ar, siga estes passos:
1. Anote o dia, a hora e o que o cão fazia antes do pulinho. |
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2. Grave um vídeo curto do cão andando, de lado e de trás. |
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3. Deixe ibuprofeno, paracetamol e qualquer comprimido humano na gaveta. |
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4. Tire o acesso ao sofá e à cama e coloque rampa ou tapete. |
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5. Marque consulta na mesma semana, mesmo que o cão volte a correr. |
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6. Vá no mesmo dia se a pata ficar no ar por minutos ou o joelho inchar. |
Hoje a Pipoca sobe no sofá pela rampa de espuma que Marina comprou, pesa 3,1 quilos e fez o pulinho de três passos só uma vez no último mês. Marina mostra o vídeo do celular para a veterinária em cada retorno.
“Quantas vezes o seu cão já deu três passos com a pata de trás no ar sem você anotar?”
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