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Dois Segundos na Gengiva do Seu Cão
Rosa que volta rápido depois do aperto é sinal de sangue chegando bem; branca, azulada ou lenta pede pronto-socorro.
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Dedo na gengiva, contagem até dois
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Domingo à tarde, o cão dorme no tapete da sala depois de um passeio comprido, e a respiração parece mais curta que o normal. O tutor se ajoelha, levanta o lábio de cima com o polegar e olha a gengiva. Está rosada, úmida, brilhante. Ele aperta um ponto acima do dente da frente com a ponta do dedo, solta, e a mancha branca some antes que ele termine de contar dois.
O gesto levou três segundos e respondeu a uma pergunta que nenhum termômetro de casa responde: o sangue está chegando bem às pontas do corpo.
Veterinários chamam o teste de tempo de preenchimento capilar (o intervalo que a cor leva para voltar depois do aperto). Os capilares, vasos mais finos do corpo, ficam fáceis de enxergar na gengiva, porque a mucosa (a pele úmida que forra a boca) é fina e quase transparente.
Quando o coração bombeia bem e há líquido suficiente circulando, o dedo empurra o sangue para fora daquele ponto e ele retorna logo, trazendo o rosa de novo. Quando a pressão cai, por desidratação, hemorragia interna ou choque, a volta atrasa. Quando falta oxigênio, a cor muda antes mesmo do aperto.
A maioria dos tutores só olha a boca do cão quando algo já parece errado, e nessa hora não tem referência. Uma gengiva pode ser naturalmente rosa-clara, outra rosa-forte, e algumas raças, como chow chow e shar-pei, têm manchas pretas que escondem a cor. Sem conhecer a gengiva do seu cão num dia bom, fica difícil afirmar que ela mudou num dia ruim.
Por esse motivo o teste vale mais como hábito que como socorro. Feito com calma, uma vez por semana, com o animal deitado e tranquilo, ele vira um retrato conhecido, e qualquer desvio salta aos olhos.
A primeira seção mostra como fazer o aperto sem assustar o cão, e onde procurar a cor quando a gengiva é escura.
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I Pode Dar?
Um dedo na gengiva, dois segundos na contagem
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Pode apertar a gengiva do seu cão em casa, com o dedo limpo e o animal calmo; calmante, remédio humano ou teste em cão que rosna, não. O teste pede só luz boa, paciência e uma contagem baixinha.
Escolha um momento de sossego, com o cão deitado de lado ou sentado no seu colo, longe da tigela de comida. Lave as mãos. Fale baixo e deixe o animal cheirar seus dedos antes de mexer na boca.
Levante o lábio de cima com o polegar, na altura do canino (o dente comprido da frente, em forma de presa). A gengiva acima dele costuma ser a área mais larga e mais fácil de enxergar. Use luz natural ou a lanterna branca do celular; lâmpada amarela deixa qualquer gengiva com cara de saudável.
Olhe primeiro a cor, sem tocar. Depois pressione com a polpa do dedo indicador, com força suficiente para o ponto ficar branco, e solte. Conte mentalmente: mil e um, mil e dois. Se o rosa voltou antes do segundo número, o resultado é normal.
Aproveite para passar o dedo na gengiva. Ela deve estar úmida e escorregadia. Gengiva pegajosa, que gruda na pele do dedo, costuma ser um dos primeiros sinais de desidratação, antes mesmo de o cão parecer abatido.
GENGIVA ESCURA
Cães com gengiva pigmentada, comum em chow chow, shar-pei, labrador preto e muitos vira-latas, pedem outro ponto de leitura. Procure uma faixa rosa perto dos dentes de trás, ou puxe de leve a pálpebra de baixo e observe a conjuntiva (a membrana rosada que forra a parte interna do olho). Nas fêmeas, a mucosa da vulva também serve.
Se não aparece nenhuma faixa rosa na boca, o aperto perde a utilidade, porque não há cor para voltar. Aí a leitura passa a ser só a cor da conjuntiva, sem pressionar o olho.
O QUE FICA FORA
Não tente o teste em cão que rosna, mostra os dentes ou está com dor forte. Um animal em sofrimento morde até quem ele ama, e nenhuma contagem vale uma mordida. Nesse caso, observe a cor da língua quando ele ofegar e ligue para o veterinário.
Não dê calmante nem remédio humano para conseguir abrir a boca. Vários tranquilizantes baixam a pressão e alteram justamente a medida que o teste procura. Também não force água na boca de um cão fraco com gengiva seca: ele pode puxar o líquido para o pulmão.
Anote cada teste: data, cor, tempo de volta e se a gengiva estava úmida. Uma foto com o celular, sempre no mesmo ponto e com a mesma luz, forma o retrato do cão num dia bom.
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II Sinal do Corpo
Branca, azulada, amarela ou cor de tijolo
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A gengiva saudável é rosa, úmida e volta à cor em menos de dois segundos; cada desvio de cor aponta para um sistema diferente do corpo. A cor diz o que falta, e o tempo diz quanto a circulação está sofrendo.
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"Em um animal saudável, a cor retorna à mucosa em menos de dois segundos depois de a pressão ser liberada."
Merck Veterinary Manual, Physical Examination of the Dog, 2022
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BRANCA OU PÁLIDA
Gengiva branca ou rosa muito clara indica pouco sangue chegando ou pouco sangue no corpo. Anemia (queda dos glóbulos vermelhos, as células que carregam oxigênio), hemorragia interna depois de atropelamento, veneno de rato que impede a coagulação e erliquiose (a doença do carrapato, infecção que destrói células do sangue) estão entre as causas mais comuns.
AZULADA OU ROXA
Cor azulada ou arroxeada tem nome: cianose (falta de oxigênio no sangue). Aparece em engasgo, colapso de traqueia grave, pneumonia, doença do coração e insolação avançada. É a cor mais urgente da lista, porque o cérebro sofre em minutos sem oxigênio.
AMARELA
Gengiva amarelada é icterícia (acúmulo de bilirrubina, pigmento que o fígado deveria eliminar). O amarelo costuma aparecer também no branco do olho e na pele da barriga. As causas vão de hepatite e intoxicação do fígado a destruição acelerada de glóbulos vermelhos e obstrução da vesícula.
VERMELHO-TIJOLO
Vermelho forte, quase cor de tijolo, com a boca seca e o cão ofegando sem parar, sugere insolação ou sepse (infecção espalhada pelo sangue). Nessa fase, a cor pode até voltar rápido demais, em menos de um segundo, e enganar o tutor que só conta o tempo.
O tempo lento completa a leitura. Gengiva de cor normal que demora a ficar rosa de novo aponta para desidratação, choque ou coração que não dá conta de bombear.
QUANDO É EMERGÊNCIA
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Gengiva branca, azulada ou que demora mais de dois segundos para voltar tira o cão da fila da observação: pronto-socorro veterinário agora, com o animal deitado de lado, em lugar arejado, sem comida e sem água forçada. Ligue para a clínica no caminho.
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Gengiva amarela ou cor de tijolo com volta normal pede consulta no mesmo dia, não na semana seguinte. Leve as fotos de referência: o veterinário compara a cor de hoje com a do dia bom.
Há também a mudança lenta, que se desenha em semanas. Gengiva que vai clareando aos poucos, com cão comendo menos e cansando no passeio, pede hemograma (exame de sangue que conta as células) na próxima consulta. As fotos semanais mostram a diferença que o olho acostumado não percebe.
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