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O Banho em Casa Que Se Paga em 4 Meses

Xampu de gente tem pH 5,5 e a pele do cão fica perto de 7; a pelagem, e não o calendário, diz quando o banho volta.

Lhasa apso de pelo caramelo tomando banho morno no boxe de casa, com espuma no dorso.

Lhasa apso no banho de casa

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Renata Albuquerque abriu o aplicativo do banco num domingo à noite e somou o que o Paçoca tinha custado no pet shop naquele mês. O Paçoca é um lhasa apso de quatro anos, sete quilos, com um pelo caramelo que arrasta no chão quando ninguém apara. Dois banhos de R$ 70 e a taxa do leva e traz: R$ 160.

No mês anterior tinha sido igual. No outro também. Em um ano, a conta passava de R$ 1.900, e o banho era a maior despesa do cão depois da ração.

Na segunda-feira ela decidiu dar o banho em casa. Pegou o próprio xampu, um de camomila para cabelo cacheado, encheu o boxe de água morna e colocou o Paçoca lá dentro. O cão saiu cheiroso, com o pelo macio, e Renata achou que tinha resolvido a conta.

Doze dias depois o Paçoca coçava a barriga com a pata de trás a noite inteira. A pele entre os dedos estava vermelha, e no dorso apareciam flocos brancos parecidos com caspa.

A veterinária da clínica do bairro olhou o pelo, afastou os fios com os dedos e fez uma pergunta antes de qualquer exame: qual xampu ele usou? Renata respondeu, e a consulta mudou de rumo.

O problema estava no frasco. Xampu feito para gente é pensado para o couro cabeludo humano, que é ácido. A pele do cão é quase neutra, mais fina e com menos camadas de proteção. O produto que deixa o cabelo dela brilhando tira do Paçoca a gordura natural que segura a água dentro da pele.

O segundo erro veio junto com o primeiro. Renata tinha planejado banho toda semana, porque em casa saía de graça. Para um lhasa, a pele cobrava o preço dessa frequência, e o calendário dela não conversava com o que o pelo pedia.

A ideia de economizar continuava certa. O banho em casa corta a maior parte da conta do pet shop, desde que três escolhas saiam acertadas: o produto, o intervalo e o equipamento.

Antes da conta vem o frasco: o que pode tocar a pele do cão e o que fica no armário do banheiro.

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I  Pode Dar?

Xampu de gente, pele de cão

Xampu de gente não entra no banho do cão, nem o infantil, nem o neutro de farmácia. A razão está numa escala que vai de 0 a 14.

O pH (a medida de acidez de uma substância, em que 7 é neutro e abaixo de 7 é ácido) da pele humana fica perto de 5,5. O da pele do cão fica perto de 7. A diferença parece pequena, mas a escala é logarítmica: cada ponto vale dez vezes mais acidez.

Xampu humano é formulado para o pH do couro cabeludo. Na pele do cão, ele desfaz o manto lipídico (a camada de gordura que cobre a pele e segura a água), e a pele resseca, descama e coça.

A PELE MAIS FINA

A pele do cão tem menos camadas de células na superfície que a humana, e o produto errado atravessa essa barreira com mais facilidade. Por esse motivo o dano aparece em poucos banhos, como aconteceu com o Paçoca em menos de duas semanas.

Xampu infantil, o sem lágrima, é o engano mais comum. Ele é suave para os olhos da criança, mas continua ácido para a pele do cão. Sabão de coco em barra tem o problema oposto: é alcalino demais e também resseca.

Perfume forte e óleo essencial pedem cuidado extra. O cão sente cheiro com muito mais força que o dono, e alguns óleos, como o de melaleuca (a árvore-do-chá) concentrado, irritam a pele e fazem mal se o cão lamber o pelo.

Leia o rótulo antes do banho: xampu de cão diz "uso veterinário" ou "para cães" e traz o registro no Ministério da Agricultura. Sem essas duas linhas, o frasco volta para a prateleira.

O QUE ENTRA NO BANHO

Um xampu neutro para cães, sem medicamento, serve para a maioria dos cães saudáveis. Xampu com clorexidina (um antisséptico) ou cetoconazol (um antifúngico) é remédio e só entra com receita do veterinário, pelo tempo que ele indicar.

Condicionador canino ajuda o pelo longo a não embolar e devolve parte da oleosidade que o banho tira. Para o lhasa de Renata, entrou como passo fixo.

O enxágue demorado vale tanto quanto o produto. Resto de xampu no pelo grosso seca na pele e coça como se o frasco fosse o errado. Renata passou a enxaguar até a água sair sem espuma, e mais um minuto depois.

A água morna também conta. Água quente abre a pele e acelera o ressecamento; a temperatura certa é a que o dono aguenta no pulso sem desconforto.

A veterinária indicou três semanas só com xampu canino neutro e um hidratante de pele receitado. Os flocos sumiram na segunda semana, e a coceira da barriga parou antes do fim do tratamento.

 
 

II  Sinal do Corpo

O pelo que decide o intervalo

A frequência do banho depende do tipo de pelo e da rotina do cão, não do dia da semana. O Paçoca precisava de banho mais espaçado do que Renata planejou, e de mais escova entre um e outro.

Banho demais tira a gordura da pele mais depressa do que ela repõe. Banho de menos deixa sebo, sujeira e pelo morto acumularem, e o cheiro forte aparece. O intervalo certo fica entre os dois extremos, e o pelo mostra onde.

PELO CURTO

Labrador, pug, beagle e vira-lata de pelo rente se limpam bem com escova de borracha e toalha úmida. Banho completo a cada 1 a 2 meses costuma bastar, ou quando o cão rola em algo sujo.

PELO DUPLO

Husky, golden retriever, pastor-alemão e spitz têm subpelo (a camada de baixo, densa e macia, que isola do frio e do calor). Esse subpelo demora a secar. Banho a cada 1 a 2 meses, com secagem completa até a raiz, evita fungo e mau cheiro.

PELO LONGO QUE NÃO PARA DE CRESCER

Lhasa apso, shih-tzu, poodle, yorkshire e maltês têm pelo que cresce sem parar e embola fácil. Esses cães pedem banho a cada 2 a 4 semanas e escovação a cada dois ou três dias. O Paçoca ficou com banho a cada 3 semanas.

Os nós explicam a escova. Pelo embolado molha e não seca por dentro, e a pele sob o nó fica úmida por horas. Escovar e desembaraçar antes do banho, nunca depois, impede que a água aperte o nó.

Mau cheiro dois ou três dias depois do banho não pede banho novo. Pede veterinário: pele oleosa demais, ouvido inflamado ou fungo costumam ser a causa.

OS SINAIS DE QUE PASSOU DO PONTO

Caspa branca, pelo opaco e coceira sem pulga indicam banho frequente demais ou produto errado. Foram os três sinais do Paçoca.

Pele avermelhada entre os dedos, cheiro de pão velho nas patas e lambedura constante pedem atenção à secagem. Pata úmida por horas favorece a malassezia, um fungo que vive na pele do cão e cresce demais com umidade.

Orelha também entra na conta. Água que escorre para dentro do ouvido e fica lá abre caminho para otite (inflamação do ouvido). Um chumaço de algodão na entrada da orelha durante o banho, retirado no fim, resolve na maioria dos casos.

Vermelhidão com feridas, perda de pelo em placas ou pele engrossada, parecida com couro, saem do banho e vão para a consulta. O banho certo não trata essas doenças, e xampu medicado sem diagnóstico pode esconder o quadro.

 
 

III  A Conta do Pote

R$ 280 de kit contra o pet shop

O banho em casa troca uma despesa mensal por uma compra de equipamento, e a conta de quando o equipamento se paga cabe num papel. Os preços abaixo são de exemplo, parecidos com os que Renata Albuquerque encontrou; troque pelos da sua cidade.

No intervalo certo, a cada 3 semanas, o Paçoca toma pouco menos de 1,5 banho por mês. No pet shop, a R$ 70 o banho e R$ 20 de leva e traz, a conta ficaria em R$ 125 por mês.

O KIT QUE FALTA

Secador de cabelo humano esquenta demais e seca só a superfície do pelo longo, deixando a raiz molhada. Renata comprou um soprador (secador de ar forte e morno, feito para pet) por R$ 220.

Levou também uma rasqueadeira (escova de cerdas finas de metal, para desembaraçar) por R$ 35 e um tapete antiderrapante para o boxe por R$ 25. Total do kit: R$ 280, pago uma vez.

A CONTA DO MÊS

O frasco de 500 ml de xampu canino custou R$ 45 e rende dez banhos de um cão de sete quilos. O condicionador, R$ 40, rende o mesmo. Com água e luz, Renata chegou a R$ 12 por banho, R$ 18 por mês.

A tosa higiênica (o corte do pelo em volta dos olhos, das patas e da região íntima) continuou no pet shop, a cada 2 meses, por R$ 50. Na conta mensal, R$ 25.

O banho em casa custa R$ 43 por mês, somando produto e tosa. A economia fica na diferença: R$ 125 menos R$ 43, R$ 82 por mês.

R$ 280 divididos por R$ 82 dão 3,4. Em menos de 4 meses o kit se paga, e dali para a frente sobram perto de R$ 1.000 por ano.

Divida o preço do kit pela diferença entre o gasto mensal do pet shop e o custo do banho em casa. O resultado é o número de meses até o kit se pagar.

QUANDO O PET SHOP GANHA

Cão de pelo curto, com banho a cada 2 meses, gasta pouco no pet shop, e o soprador demora mais de um ano para se pagar. Nesse caso, toalha e secagem ao sol da manhã bastam, sem kit.

Cão grande, bravo no banho ou com doença de pele em tratamento pode render mais no profissional, que tem banheira na altura certa e ajudante para segurar. Tosa completa também fica com quem tem máquina e prática.

Para fazer a sua conta, siga estes passos:

1. Descubra o tipo de pelo do seu cão e o intervalo de banho que ele pede.

 

2. Multiplique o preço do banho no pet shop pelo número de banhos do mês.

 

3. Some o leva e traz e anote o gasto mensal do pet shop.

 

4. Some o preço do kit e calcule o custo de cada banho em casa.

 

5. Divida o preço do kit pela economia do mês.

 

6. Marque na agenda a data em que o kit se paga e confira a pele do cão nesse dia.

Antes de marcar o próximo banho, passe a mão contra o pelo do seu cão e veja se a pele está limpa, oleosa ou descamando.

"Quanto o banho do seu cão custou no último mês?"

 
 
 
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