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O Ferrão no Focinho da Mel
O focinho que incha em minutos depois da abelha no quintal é caso de casa; gengiva pálida, vômito e ofego mandam pra clínica.
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O focinho da Mel dez minutos após a picada
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Joana Ferraz estendia roupa no varal do quintal, num sábado de sol em Itajaí, quando ouviu o ganido curto da Mel. A beagle de quatro anos tinha enfiado o focinho no canteiro de lavanda, onde as abelhas trabalham a manhã toda.
Mel recuou espirrando e esfregou a cara na grama. Joana pegou a cadela no colo e achou, no lado esquerdo do focinho, um ponto preto do tamanho de um grão de areia, com um saquinho claro preso na ponta.
Em dez minutos, o lado esquerdo da cara tinha dobrado de volume. O lábio caiu sobre os dentes, o olho ficou meio fechado e a cadela parecia outra. Joana já tinha a chave do carro na mão.
O marido, Rui, pediu um minuto antes da corrida. Abriu a boca da Mel e olhou a gengiva: rosada, úmida, a cor de sempre. Contou a respiração com o relógio do celular e viu a cadela abanar o rabo para o pote de água.
A dúvida do casal é a de muito tutor com quintal. Focinho inchado assusta, mas o tamanho do inchaço, sozinho, diz pouco sobre o perigo. O que separa o caso de casa do caso de clínica está em sinais menos visíveis.
A picada de abelha deixa no cão um ferrão com farpas e uma bolsa de veneno que continua bombeando por alguns segundos. O veneno tem melitina (a proteína que dói e incha) e substâncias que soltam histamina, a molécula da alergia.
Na maioria dos cães, a reação fica no lugar da picada. Em alguns, o corpo inteiro responde, e o quadro vira anafilaxia (reação alérgica grave, que derruba a pressão). No cão, ela costuma aparecer pela barriga: vômito, diarreia e fraqueza súbita.
Rui e Joana passaram a meia hora seguinte com três tarefas: tirar o ferrão do jeito certo, decidir o que dar e vigiar a gengiva. A primeira começa na carteira, com um cartão de banco.
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I Pode Dar?
O antialérgico só com a dose da clínica
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Para o focinho inchado de picada, o que entra em casa é gelo, e remédio só com dose dada pelo veterinário. Antes de qualquer comprimido, o primeiro passo é tirar o ferrão que ficou na pele.
Raspe o ferrão para o lado com a borda de um cartão de banco ou com a unha. Evite pinça e dedo em pinça: apertar a bolsa de veneno empurra o resto dela para dentro do focinho.
Rui raspou o ferrão da Mel num gesto só. Joana embrulhou cubos de gelo num pano de prato e encostou no lado inchado por dez minutos, com pausa, enquanto a cadela lambia a mão dela.
O QUE PODE ENTRAR EM CASA
Compressa fria entra, sempre com pano entre o gelo e a pele. Água fresca no pote também, porque o cão picado costuma ofegar de dor e de susto nos primeiros minutos.
O antialérgico mais citado pelas clínicas para picada leve é a difenidramina (um anti-histamínico, remédio que bloqueia a histamina). A dose depende do peso e de outros remédios que o cão já toma, e a fórmula não pode ter descongestionante junto.
Antes de abrir a caixa de remédios, Joana ligou para a clínica e mandou foto do focinho. A veterinária confirmou a dose pelo peso da Mel, onze quilos, e pediu notícia em uma hora.
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Na picada leve, entra gelo no pano, ferrão raspado de lado e antialérgico só com a dose que a clínica deu pelo peso.
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O QUE FICA NA CAIXA
Fica fora o anti-inflamatório de gente. Ibuprofeno, diclofenaco e naproxeno ferem o estômago e o rim do cão, mesmo em dose pequena, e o paracetamol agride o fígado.
Fica fora a pomada de corticoide do armário do banheiro. O cão lambe o que passa no focinho, e a pomada vai parar no estômago. Bicarbonato, vinagre e pasta de dente, receitas que circulam em grupo de família, não tiram o veneno que já entrou.
Fica fora também o antialérgico com pseudoefedrina (um descongestionante que acelera o coração). A caixa de gripe de adulto costuma trazer os dois remédios juntos, e o rótulo pede leitura antes.
A Mel tomou o comprimido com um pedaço de queijo branco e cochilou no tapete da cozinha. Rui ficou de olho na boca dela, porque o próximo sinal não estava no focinho.
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II Sinal do Corpo
A gengiva pálida que manda pro carro
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O tamanho do inchaço engana; quem diz se a picada virou emergência é a gengiva, a respiração e a barriga. Um focinho enorme com gengiva rosada costuma ser caso de casa. Um focinho discreto com gengiva branca é caso de corrida.
Na anafilaxia do cão, o fígado e o intestino recebem o primeiro golpe. Por esse caminho, vômito e diarreia aparecem cedo, às vezes antes de qualquer falta de ar, e muito tutor confunde com estômago virado pelo susto.
A pressão cai, o sangue some das mucosas e a gengiva perde a cor. O cão fica fraco nas patas, ofega sem ter corrido e pode desabar de lado.
O TESTE DA GENGIVA EM CASA
Levante o lábio de cima e olhe a gengiva acima do dente canino. Rosa e úmida é o normal. Branca, cinza ou azulada, com aspecto pegajoso, é sinal de choque.
Aperte a gengiva com a ponta do dedo até ela clarear e solte. A cor rosa deve voltar em cerca de dois segundos. Se demorar, o sangue não está chegando direito à pele.
Cão de gengiva escura de nascença, como o chow-chow, pede o teste na parte de dentro da pálpebra de baixo, puxada com cuidado.
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Gengiva branca, vômito, fraqueza ou ofego parado pedem clínica na hora, com o focinho inchado ou não.
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QUANDO A CORRIDA COMEÇA
Vá na hora se aparecer qualquer um destes sinais: gengiva pálida, vômito ou diarreia logo após a picada, ofego com o cão parado, fraqueza nas patas, desmaio ou inchaço que desce para o pescoço.
Picada dentro da boca ou na garganta também pede corrida. O cão que abocanha a abelha no ar pode levar o ferrão na língua, e o inchaço ali fecha a passagem do ar.
Ataque de enxame é outro quadro. Dezenas de picadas somam veneno que destrói glóbulos vermelhos e sobrecarrega o rim, e a piora pode vir no dia seguinte, com xixi escuro. O cão vai à clínica mesmo que pareça bem.
A reação grave costuma surgir nos primeiros trinta minutos, e alguns cães pioram horas depois. No caso da Mel, a gengiva seguiu rosada, ela não vomitou e o inchaço começou a baixar no meio da tarde.
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III A Conta do Pote
O pote de água que atrai a abelha
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A picada do quintal costuma começar no pote: água parada e comida doce ao ar livre chamam abelha para a altura do focinho. Em dia quente, a abelha busca água para resfriar a colmeia e pousa na borda do pote do cão.
Rui descobriu a rota no domingo. Três abelhas iam e voltavam do pote de inox ao lado do canteiro de lavanda, e a Mel, que bebe com a língua para fora, tinha as abelhas a um palmo do focinho.
A CONTA DO POTE
O pote de água saiu do sol e foi para a varanda coberta, longe das flores. A água agora é trocada duas vezes ao dia, porque água morna e parada atrai mais abelha.
A ração é servida dentro de casa, e o pote volta vazio para a pia logo após a refeição. Fruta doce caída do pé, como manga e goiaba, sai do gramado antes de soltar a Mel.
O canteiro de lavanda ficou, mas ganhou uma cerca baixa de bambu. A Mel ainda cheira as flores pela fresta, sem enfiar o focinho no meio das abelhas.
A CONTA DA CLÍNICA
Joana montou a conta para o caso de a próxima picada ser a grave. Valores de exemplo numa clínica de Itajaí, que mudam por cidade: consulta de emergência perto de R$ 250, antialérgico e corticoide injetáveis perto de R$ 120 e algumas horas de soro e observação perto de R$ 400.
A conta de casa saiu pequena: uma caixa de antialérgico sem descongestionante, perto de R$ 20, e uma bolsa de gel que vai ao congelador, perto de R$ 25. As duas ficam num saquinho na porta da geladeira, com a dose da Mel escrita num papel.
Cão que já teve reação grave pode sair da clínica com receita de adrenalina em caneta (a injeção de emergência usada em gente alérgica). A dose e o jeito de aplicar são ensinados no consultório.
Para agir quando o cão levar uma picada no quintal, siga estes passos:
1. Raspe o ferrão de lado com um cartão, sem apertar. |
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2. Encoste gelo no pano por dez minutos, com pausa. |
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3. Ligue para a clínica antes de dar qualquer remédio. |
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4. Olhe a gengiva e conte a respiração por meia hora. |
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5. Corra se houver vômito, gengiva pálida ou fraqueza. |
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6. Tire o pote de água do sol e de perto das flores. |
No dia seguinte, o focinho da Mel tinha voltado ao tamanho de sempre. Ela bebe na varanda, cheira a lavanda pela cerca, e o papel com a dose segue colado na geladeira.
“Onde fica o pote de água do seu cão quando o sol bate no quintal?”
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