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O Olho Apertado do Shih-Tzu
Olho meio fechado, lágrima e fuga da luz podem ser um arranhão na córnea; colírio de gente fica na gaveta e a clínica é hoje.
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Shih-tzu com o olho esquerdo apertado
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Domingo de manhã, e Mel, uma shih-tzu de cinco anos, voltou do jardim com o olho esquerdo meio fechado. Piscava devagar, como quem tem areia embaixo da pálpebra. Uma lágrima fina escorria pelo pelo claro do focinho e deixava um rastro escuro até a boca.
O tutor achou graça no primeiro minuto. Parecia uma piscadela. Depois reparou que ela virava a cabeça sempre que passava pela janela da sala, onde o sol batia no piso, e que esfregava o rosto no tapete com a pata dianteira.
A córnea (a camada transparente que cobre a frente do olho, como o vidro de um relógio) tem pouquíssimos milímetros de espessura e muitas terminações nervosas. Um arranhão pequeno, invisível a olho nu, dói como um cisco que não sai. O cão responde apertando a pálpebra, chorando e fugindo da claridade.
No shih-tzu, no pug, no lhasa apso e no buldogue francês, o olho fica mais exposto. A órbita é rasa, o globo salta um pouco para fora e a pálpebra às vezes nem fecha por completo durante o sono. Galho de arbusto, unha de gato, grama alta e até o pelo do próprio rosto encostando no olho bastam para raspar a superfície.
Na gaveta do banheiro, o tutor achou um colírio antigo de uma conjuntivite da família. Pegou o frasco, leu a bula pela metade e guardou de novo. Ligou para a clínica, que tinha plantão no domingo, e saiu com a Mel no colo meia hora depois.
A veterinária pingou um corante verde no olho e apagou a luz. Sob uma lanterna azul, um risco fino brilhou na córnea. Era uma úlcera superficial, pega cedo. Mel voltou para casa com um cone no pescoço, um colírio próprio para cães e reavaliação marcada para três dias depois.
Aquela mão que devolveu o frasco à gaveta decidiu o rumo daquele domingo. A primeira seção separa o que pode entrar no olho do cão em casa e o que precisa esperar a consulta.
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I Pode Dar?
Soro no olho, frasco da família na gaveta
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Pode limpar o canto do olho com soro fisiológico, pôr o cão num cômodo com pouca luz e impedir que ele coce; colírio de gente, pomada antiga e chá de camomila, não. O cuidado de casa segura o estrago por algumas horas, e o diagnóstico sai da clínica.
O soro fisiológico (água com sal na concentração do corpo, vendido em farmácia) é o único líquido que entra sem receita. Molhe uma gaze limpa e passe no canto interno do olho, de dentro para fora, para tirar secreção e pelo grudado. Se houver cisco visível boiando na lágrima, algumas gotas de soro podem levá-lo embora.
Não force a pálpebra aberta e não tente tirar com cotonete nada preso na superfície. Espinho, lasca de galho ou semente cravada na córnea é assunto para a clínica, com o olho anestesiado.
O FRASCO DA GAVETA
Muitos colírios de uso humano trazem corticoide, um anti-inflamatório potente, como a dexametasona e a prednisolona. Num olho com a córnea arranhada, o corticoide freia a cicatrização e abre caminho para enzimas que derretem o tecido. Um arranhão raso pode virar uma ferida funda em pouco tempo.
Colírio anestésico, aquele que alivia a dor na hora, também fica fora. Ele mascara o sintoma, deixa o cão parar de proteger o olho e atrasa a cura da superfície. Na clínica ele é usado só para o exame, em dose única.
Os colírios de "olho vermelho", com vasoconstritor (substância que aperta os vasos para clarear o branco do olho), escondem o sinal que a veterinária precisa ver. Pomada que sobrou de outro cão, de outro problema, repete o risco do corticoide, porque o rótulo raramente foi lido com calma.
Chá de camomila, água boricada e receitas caseiras trazem resíduo, bactéria e ardor para uma superfície que já está aberta.
O QUE AJUDA ATÉ A CONSULTA
Leve o cão para um cômodo de luz baixa, com cortina fechada. A claridade aperta a pupila e a dor aumenta. Se ele insiste em esfregar o rosto no chão ou na pata, um cone (o colar elisabetano, aquele funil de plástico em volta do pescoço) evita que ele transforme um risco em corte.
Anote a hora em que o olho começou a fechar. Leve à consulta os frascos cogitados em casa, para a veterinária conferir o rótulo.
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II Sinal do Corpo
Lágrima, luz e a lanterna azul
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Olho apertado de um lado só, lágrima escorrendo e fuga da claridade formam o trio que pede consulta no mesmo dia, mesmo quando o cão come e brinca normalmente. Um olho turvo, azulado ou com uma cratera visível vira urgência imediata.
A OLHO NU
O blefaroespasmo (a pálpebra fechando sozinha por dor) abre a lista de sinais e aparece fácil. O cão pisca devagar, deixa o olho meio fechado e às vezes inclina a cabeça para o lado da dor. A terceira pálpebra, uma membrana clara no canto interno, pode avançar sobre o globo.
A epífora (lágrima em excesso, escorrendo pelo rosto) vem junto. No começo ela é clara e fina. Se ficar amarela, verde ou grossa, a ferida pode ter infeccionado.
A fotofobia (aversão à luz) aparece como esquiva. O cão evita a janela, procura o canto escuro da casa, fecha o olho com mais força ao sair para o quintal.
Compare os dois olhos de frente, com luz boa. O olho machucado costuma ficar mais vermelho no branco, e às vezes a córnea perde o brilho e mostra uma mancha opaca no ponto do arranhão.
O CORANTE VERDE
Na consulta, a veterinária pinga fluoresceína (um corante laranja que fica verde sob luz azul) e ilumina o olho com uma lanterna de filtro azul. A córnea saudável repele o corante. Onde a camada de fora foi raspada, ele gruda e brilha em verde. O exame leva poucos minutos, não dói e mostra o tamanho e a profundidade da ferida.
Ela também procura a causa. Um cílio nascido na direção errada, uma dobra de pele encostando no olho, um olho seco que não lubrifica bem: se a causa segue ali, a úlcera volta mesmo depois de fechar.
QUANDO É EMERGÊNCIA
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Olho que ficou turvo ou azulado, córnea com buraco ou mancha que parece gelatina, sangue dentro do olho ou olho que saltou para fora da órbita: proteja o rosto do cão com o cone, não pingue nada e saia agora para o pronto-atendimento veterinário, avisando pelo telefone no caminho.
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A úlcera que "derrete", chamada de melting pelos oftalmologistas (a córnea amolecendo por ação de enzimas), pode furar o olho em pouco tempo. É o quadro que o colírio com corticoide acelera.
Úlcera superficial bem tratada costuma fechar em poucos dias. Por esse motivo a reavaliação marcada importa: a veterinária repete o corante e só libera o cone quando o verde some.
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