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ED 020
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O Olho Apertado do Shih-Tzu

Olho meio fechado, lágrima e fuga da luz podem ser um arranhão na córnea; colírio de gente fica na gaveta e a clínica é hoje.

Shih-tzu de pelo claro com o olho esquerdo apertado e uma lágrima escorrendo pelo focinho.

Shih-tzu com o olho esquerdo apertado

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Domingo de manhã, e Mel, uma shih-tzu de cinco anos, voltou do jardim com o olho esquerdo meio fechado. Piscava devagar, como quem tem areia embaixo da pálpebra. Uma lágrima fina escorria pelo pelo claro do focinho e deixava um rastro escuro até a boca.

O tutor achou graça no primeiro minuto. Parecia uma piscadela. Depois reparou que ela virava a cabeça sempre que passava pela janela da sala, onde o sol batia no piso, e que esfregava o rosto no tapete com a pata dianteira.

A córnea (a camada transparente que cobre a frente do olho, como o vidro de um relógio) tem pouquíssimos milímetros de espessura e muitas terminações nervosas. Um arranhão pequeno, invisível a olho nu, dói como um cisco que não sai. O cão responde apertando a pálpebra, chorando e fugindo da claridade.

No shih-tzu, no pug, no lhasa apso e no buldogue francês, o olho fica mais exposto. A órbita é rasa, o globo salta um pouco para fora e a pálpebra às vezes nem fecha por completo durante o sono. Galho de arbusto, unha de gato, grama alta e até o pelo do próprio rosto encostando no olho bastam para raspar a superfície.

Na gaveta do banheiro, o tutor achou um colírio antigo de uma conjuntivite da família. Pegou o frasco, leu a bula pela metade e guardou de novo. Ligou para a clínica, que tinha plantão no domingo, e saiu com a Mel no colo meia hora depois.

A veterinária pingou um corante verde no olho e apagou a luz. Sob uma lanterna azul, um risco fino brilhou na córnea. Era uma úlcera superficial, pega cedo. Mel voltou para casa com um cone no pescoço, um colírio próprio para cães e reavaliação marcada para três dias depois.

Aquela mão que devolveu o frasco à gaveta decidiu o rumo daquele domingo. A primeira seção separa o que pode entrar no olho do cão em casa e o que precisa esperar a consulta.

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I  Pode Dar?

Soro no olho, frasco da família na gaveta

Pode limpar o canto do olho com soro fisiológico, pôr o cão num cômodo com pouca luz e impedir que ele coce; colírio de gente, pomada antiga e chá de camomila, não. O cuidado de casa segura o estrago por algumas horas, e o diagnóstico sai da clínica.

O soro fisiológico (água com sal na concentração do corpo, vendido em farmácia) é o único líquido que entra sem receita. Molhe uma gaze limpa e passe no canto interno do olho, de dentro para fora, para tirar secreção e pelo grudado. Se houver cisco visível boiando na lágrima, algumas gotas de soro podem levá-lo embora.

Não force a pálpebra aberta e não tente tirar com cotonete nada preso na superfície. Espinho, lasca de galho ou semente cravada na córnea é assunto para a clínica, com o olho anestesiado.

O FRASCO DA GAVETA

Muitos colírios de uso humano trazem corticoide, um anti-inflamatório potente, como a dexametasona e a prednisolona. Num olho com a córnea arranhada, o corticoide freia a cicatrização e abre caminho para enzimas que derretem o tecido. Um arranhão raso pode virar uma ferida funda em pouco tempo.

Colírio anestésico, aquele que alivia a dor na hora, também fica fora. Ele mascara o sintoma, deixa o cão parar de proteger o olho e atrasa a cura da superfície. Na clínica ele é usado só para o exame, em dose única.

Os colírios de "olho vermelho", com vasoconstritor (substância que aperta os vasos para clarear o branco do olho), escondem o sinal que a veterinária precisa ver. Pomada que sobrou de outro cão, de outro problema, repete o risco do corticoide, porque o rótulo raramente foi lido com calma.

Chá de camomila, água boricada e receitas caseiras trazem resíduo, bactéria e ardor para uma superfície que já está aberta.

O QUE AJUDA ATÉ A CONSULTA

Leve o cão para um cômodo de luz baixa, com cortina fechada. A claridade aperta a pupila e a dor aumenta. Se ele insiste em esfregar o rosto no chão ou na pata, um cone (o colar elisabetano, aquele funil de plástico em volta do pescoço) evita que ele transforme um risco em corte.

Anote a hora em que o olho começou a fechar. Leve à consulta os frascos cogitados em casa, para a veterinária conferir o rótulo.

 
 

II  Sinal do Corpo

Lágrima, luz e a lanterna azul

Olho apertado de um lado só, lágrima escorrendo e fuga da claridade formam o trio que pede consulta no mesmo dia, mesmo quando o cão come e brinca normalmente. Um olho turvo, azulado ou com uma cratera visível vira urgência imediata.

A OLHO NU

O blefaroespasmo (a pálpebra fechando sozinha por dor) abre a lista de sinais e aparece fácil. O cão pisca devagar, deixa o olho meio fechado e às vezes inclina a cabeça para o lado da dor. A terceira pálpebra, uma membrana clara no canto interno, pode avançar sobre o globo.

A epífora (lágrima em excesso, escorrendo pelo rosto) vem junto. No começo ela é clara e fina. Se ficar amarela, verde ou grossa, a ferida pode ter infeccionado.

A fotofobia (aversão à luz) aparece como esquiva. O cão evita a janela, procura o canto escuro da casa, fecha o olho com mais força ao sair para o quintal.

Compare os dois olhos de frente, com luz boa. O olho machucado costuma ficar mais vermelho no branco, e às vezes a córnea perde o brilho e mostra uma mancha opaca no ponto do arranhão.

O CORANTE VERDE

Na consulta, a veterinária pinga fluoresceína (um corante laranja que fica verde sob luz azul) e ilumina o olho com uma lanterna de filtro azul. A córnea saudável repele o corante. Onde a camada de fora foi raspada, ele gruda e brilha em verde. O exame leva poucos minutos, não dói e mostra o tamanho e a profundidade da ferida.

Ela também procura a causa. Um cílio nascido na direção errada, uma dobra de pele encostando no olho, um olho seco que não lubrifica bem: se a causa segue ali, a úlcera volta mesmo depois de fechar.

QUANDO É EMERGÊNCIA

Olho que ficou turvo ou azulado, córnea com buraco ou mancha que parece gelatina, sangue dentro do olho ou olho que saltou para fora da órbita: proteja o rosto do cão com o cone, não pingue nada e saia agora para o pronto-atendimento veterinário, avisando pelo telefone no caminho.

A úlcera que "derrete", chamada de melting pelos oftalmologistas (a córnea amolecendo por ação de enzimas), pode furar o olho em pouco tempo. É o quadro que o colírio com corticoide acelera.

Úlcera superficial bem tratada costuma fechar em poucos dias. Por esse motivo a reavaliação marcada importa: a veterinária repete o corante e só libera o cone quando o verde some.

 

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III  A Conta do Pote

Pote raso para o pescoço de cone

O cão de cone come e bebe pior, e a recuperação do olho depende de ele continuar comendo, bebendo e tomando o remédio na hora certa. A conta começa pelo pote.

O funil de plástico bate na borda da tigela funda e empurra o recipiente pela cozinha. Muitos cães desistem na segunda tentativa e passam o dia sem beber. Troque por um prato raso e largo, mais largo que a boca do cone, e apoie em cima de um tapete que não escorregue.

Eleve o prato à altura do peito do cão com um banquinho ou uma caixa firme. Assim ele não precisa enfiar o cone no chão para alcançar a comida. Nos braquicefálicos, a posição mais alta também diminui o esforço de respirar enquanto come.

A água segue a mesma lógica. Uma tigela larga, cheia quase até a borda, facilita o acesso. Confira ao fim do dia se o nível baixou.

O RELÓGIO DO COLÍRIO

O tratamento costuma combinar um colírio antibiótico, pingado várias vezes ao dia, e às vezes um remédio para dor por via oral. Pingue o colírio longe da refeição, com o cão calmo, e ofereça um petisco pequeno depois, para ele associar o frasco a algo bom.

Quando a receita traz dois colírios diferentes, espere uns cinco minutos entre um e outro, para o primeiro não ser lavado pelo segundo. Quem esquece dose pode colar a tabela de horários na porta da geladeira.

O remédio oral para dor entra na refeição, se a bula permitir, o que protege o estômago. Anti-inflamatório de gente, como ibuprofeno e paracetamol, é tóxico para o cão e não substitui o receitado.

O PELO E A PELE DO ROSTO

Cão que coça o rosto sem parar, por alergia de pele ou alimentar, arranha o próprio olho com a unha. Se a coceira no focinho é frequente, a consulta de retorno é a hora de perguntar se a dieta ou a alergia merecem investigação.

1. Troque a tigela funda por um prato raso e largo enquanto o cone estiver no pescoço.

 

2. Eleve comida e água à altura do peito do cão.

 

3. Anote numa tabela os horários do colírio e marque cada dose pingada.

 

4. Espere cinco minutos entre dois colírios diferentes.

 

5. Mantenha o pelo do rosto aparado longe dos olhos, no banho e tosa.

 

6. Jogue fora o colírio humano vencido ou aberto há semanas.

Hoje, olhe os olhos do seu cão de frente, com luz de janela, e guarde uma foto no celular. Na próxima vez que um deles apertar, a comparação ajuda você e a veterinária.

"Qual colírio da sua gaveta você teria usado no olho do cão?"

 
 
 
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Cinco Minutos no Chão da Sala

O cão cai tremendo no tapete: o tutor liga o cronômetro, filma e afasta a mesa, com a mão longe da boca.

 
 
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